terça-feira, 30 de abril de 2019

Já era

O relacionamento já era. Acho que estou aqui só cumprindo tabela. Não sei como agir, isso era uma grande alucinação, fixação, admiração. Mas o tempo passou, o amor esfriou, o ódio rosnou e a gente estragou. Não consigo mais pensar em nós sem sentir nojo, repulsa, ranço raiva ou rancor. Eu precisaria de um longo tempo até que eu me sentisse livre de todo esse sentimento para começar de novo. Tanto tempo que eu não sei dizer quanto. Eu já estou vivendo o luto há algum tempo. Repetindo para mim várias vezes que acabou para ver se eu me acostumo com a ideia, para ver se deixo de sentir falta e me torno indiferente em algum momento, se a insensibilidade vêm. Mas não vem. Quando a gente está bem eu fico tenso... porque sei que em algum momento outra discussão irá emergir. E quando vier começa todo o ciclo novamente: eu me convencendo a largar mão, deixar de sentir isso, o ódio me consumindo, eu sem forças para fazer pazes ou tomar qualquer ação. Afinal, para quê? Se depois a gente vai brigar de novo. Então me poupo porque não aguento mais.

Falso entendimento

Se dar bem com vontade de transar é fácil. O interesse mútuo se disfarça de compreensão. Difícil é obter o mesmo num dia qualquer em que não se ganhe nada com isso.

domingo, 21 de abril de 2019

Saindo dos Fantasmas

Lá fora o terror é menor, o oxigênio é mais puro, o ar é menos pesado.
Algumas moléculas do ar nesse ambiente faz ele ter um gosto mais amargo, um cheiro mais expurgo e um tenso mais profundo. Da estética do ambiente não cabe a mim ser supersticioso, deixo isso aos incompetentes. O que sou aqui sou lá fora, o que sou na rua, sou deitado, e meu ser não se altera onde meu pé está repousado. Ainda assim, há diferença. Então do que será que estou me afastando então? Nem gostaria de estar aqui, porque já volta-me uma pressão.